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Eu no tenho nada para ensinar

Em 2010 assistimos atribuio do Prmio Aquisio Arquitectura ao conceituado Arquitecto Manuel Vicente, por parte da Academia nacional de Belas Artes. Com formao e obra distribuda por diversos pases em vrios continentes, o Mestre assume nada ter para ensinar. E continua a acreditar, mais que em tcnicas e formalismos de caminhos sabidos, na capacidade inventiva de actuais e futuros arquitectos.

Comeando pelo incio, aps ter concludo os seus estudos na Escola Superior de Belas Artes, iniciou um percurso que o levou a concluir os seus estudos j nos Estados Unidos

Sim, estive ainda na ndia e em Macau, depois estive na Madeira durante um ano e seguidamente fui para os Estados Unidos.

Estvamos em 1968, foi j em Dezembro desse ano que parti, pelo que tinha 33 anos na poca. Em 61 tinha estado em Goa, depois em 62 fui para Macau, em 66 voltei para Lisboa, em 67 fui um ano para o Funchal e em 68 fui estudar para os Estados Unidos.

Onde contactou com figuras proeminentes da arquitectura americana e at referncias a nvel mundial, como Louis Kahn ou Roberto Venturi. De que forma o contacto com estes arquitectos e com uma obra que procurava caminhos que superassem a modernidade dominante influenciou a singularidade da sua obra?

Quando fui para a Amrica, para a universidade, tinha j sido responsvel pela construo de um nmero significativo de edifcios que, digamos assim, contemplavam diferentes e variadas utilizaes, e com diversos programas.

A minha formao aqui em Lisboa partiu da formao em arquitectura comum a toda a minha gerao, com muitas influncias da arquitectura italiana. Esta gerao tinha ido procurar alguma inspirao para conhecer melhor o movimento moderno, ou para tentar estabelecer alguma anttese dentro das certezas deste. E tinha, enfim, como que redescoberto Frank Lloyd Wright. E ento, dessa mistura, dessa nova tentativa de sntese, tinha nascido muito da formao da minha gerao aqui em Lisboa, que tambm era muito centrada na influncia do atelier do Arquitecto Nuno Teotnio Pereira.

Fomo-nos encontrando e explorando novas linguagens sadas do movimento moderno, e que mantinham o movimento moderno como base, mas procuravam tir-lo um pouco daquele aperto, daquele enquadramento terico muito rgido em que ento se encontrava, e que deixava pouco espao para a investigao e para a reflexo.

Depois, na ndia e em Macau, fui exposto a outras realidades, principalmente em Macau, a partir de 62, onde mantive uma prtica profissional bastante activa e onde explorei, digamos, a fileira desse discurso formal e terico. O encontro posterior com a Amrica do Louis Kahn e do Venturi foi o enriquecimento deste prisma, no foi o seu nascimento. Foi o aprofundar da minha prpria reflexo sobre a arquitectura, que eu vinha fazendo atravs da prtica profissional e de constante reflexo. E aquele encontro com essas realidades diferentes veio estruturar mais esse caminho que vinha seguindo. No significou portanto um corte, mas antes uma continuao.

De que modo esse percurso e a experincia dessa gerao marcam a anlise crtica que faz da arquitectura portuguesa contempornea?

O sair daqui d-nos sempre um pouco mais de espao para imaginar, deixamos de estar to confinados, e repare que agora o sonho portugus mais cosmopolita, embora eventualmente ainda no suficientemente aberto. Na altura ainda era menos aberto, depois havia aquele poder que as prticas estabelecidas tm mas a certa altura h uma espcie de cnone que se estabelece. E no fcil, na dimenso do nosso meio e nas bases do poder que se vo estabelecendo, nos circuitos da crtica, dos opinion maker, dos media, uma pessoa pr em causa essas certezas.

De modo que, quem ficou em Portugal, ficou muito preso a certos cnones e dogmas, alguns dos quais relacionados com aquilo que se convencionou chamar a Escola do Porto, que era, digamos, uma escola bastante puritana, onde existia muito o culto da personalidade, e tudo isso acaba por criar um mundo algo fechado, embora formalmente moderno. No so passadistas, no esto a tentar repetir um passado identificvel, como muita arquitectura do tempo do Salazar que procurava regressar ao D. Joo V e ao que seria uma arquitectura portuguesa, enraizada, sustentada com um discurso formal qualquer Mas esta arquitectura que se ficou a fazer por c tinha esse mesmo saudosismo em relao ao que seria um modernismo institucionalizado, por assim dizer.

Depois havia umas ligeirezas lisboetas, ou que eram entendidas como tal, como os trabalhos do Toms Taveira, de quem no sou um crtico feroz. Acho interessantes muitas das coisas que ele fez. No seria o meu estilo, mas, dentro das suas contradies pessoais, libertou Lisboa durante um certo tempo daquela asfixia do movimento moderno, ortodoxo, das referncias ao norte da Europa.

Ainda no quadro da reflexo acerca do movimento moderno, o que destaca na arquitectura portuguesa contempornea?

Eu acho que temos um arquitecto que com certeza um homem excepcional, que tem momentos de genialidade: o lvaro Siza. Nem tudo o que ele faz extraordinrio ou perfeito, mas uma grande parte das coisas que ele faz so muito estimulantes e muito interessantes. Mas, nestes ltimos dez anos, ele prprio tem sado de Portugal, e acho que teria ido ainda muito mais longe se no tivesse ficado to confinado ao modelo onde o quiseram aprisionar; no deliberadamente, no estamos a falar de nada que seja violento nem forado mas, pelas circunstncias, Siza Vieira fica reduzido a uma caricatura de si prprio, feita pelos outros, e quase no encontra espao para continuar uma linha de reflexo prpria ou continuar a sua reflexo pessoal como arquitecto. Mas penso que felizmente para o prprio e para ns, tem vindo a libertar-se desse molde onde o queriam fixar.

A arquitectura portuguesa uma arquitectura conformista, onde existe sempre alguma tendncia para o seguidismo, e acaba por nos aparecer um pouco formatada, configurada.

Eventualmente como acontece noutras reas

Mas nalgumas reas h maior liberdade na criao portuguesa. Falo dos pintores, dos msicos, dos escritores, que apesar de tudo esto menos constrangidos. No h tantas figuras, no h tantos intocveis na msica portuguesa, nem na literatura: h um mundo de liberdade na literatura portuguesa que a torna muito variada, o que tambm verdade para a pintura. Pensemos em homens como o Julio Sarmento ou como o prprio Noronha da Costa, que desapareceu um pouco da ribalta, mas que era um homem tambm muito independente.

Diz ento que na arquitectura que se faz actualmente existe uma menor possibilidade de se ser original?

A arquitectura ficou muito formatada, digamos assim. Penso que num meio mais cosmopolita como Lisboa no teria sido possvel a beatificao de uma figura como, de alguma maneira, no Porto se fez a beatificao de lvaro Siza, que um pouco intocvel, ou um pouco indiscutvel. Em Lisboa muito poucas coisas so indiscutveis.

Porque tambm existe esta ideia de que na Europa temos as capitais, por um lado, e por outro as grandes cidades, e que as capitais so sempre mais livres e mais cosmopolitas que as grandes cidades. Podia comparar ou equiparar o Porto a Barcelona, Marselha, Lyon ou Milo, e numa outra linha, com as devidas distncias, Lisboa a Madrid, Roma, Londres e Berlim (com essa dimenso mais complexa, variada e estimulante que as capitais possuem). Existem pases onde isso no verdade - nos Estados Unidos, por exemplo, a cidade de Nova Iorque muito mais importante que Washington, e na Holanda eventualmente Amesterdo muito mais importante que Haia. Mas este estatuto da capital versus o da grande cidade ajuda-nos a compreender este mundo europeu em que vivemos.

E verificamos que h sempre grandes intocveis, e que as grandes cidades europeias tm quase sempre os seus, mas que isso acontece em menor dimenso nas capitais.

Ao longo do seu percurso profissional, conciliou sempre a carreira de Arquitecto com uma carreira acadmica que exerceu forte influncia numa gerao de jovens arquitectos. Nessa passagem de testemunho, quais foram as suas grandes preocupaes?

Eu gosto muito de ensinar, mas na arquitectura no acredito muito numa formao terica. Acredito muito em estimular nos alunos a imaginao, porque temos sempre c dentro uma quantidade de coisas que nem imaginvamos. E a grande aprendizagem d-se como uma espcie de revelao. Pode dar-se no contacto com outras pessoas ou com um livro, mas uma revelao do prprio, no a aquisio de algo que chegue do exterior.

Do que ouvimos ou lemos podemos dizer isto, exactamente como penso, mas no tinha encontrado as palavras para o dizer, ou nunca tinha ouvido dizer to bem. E o que preciso permitir o dizer, o verbalizar uma riqueza interior que feita das nossas memrias, dos contactos que tivemos, do que vimos e da maneira como reagimos. Eu acredito muito na importncia da memria e da imaginao.

Actualmente dou aulas de Projecto ao segundo ano na (Universidade) Autnoma e h poucos dias tivemos uma apresentao de um exerccio; o meu maior prazer foi ouvir algumas pessoas a questionar-se sobre a origem de todas aquelas ideias: estavam todas dentro deles. por isso que gosto de ensinar. Nesse processo, muito mais aquilo que recebo do que aquilo que dou. um pouco como a horticultura, colocam-se umas sementes e depois na primavera temos imensas coisas, tomates, nabos, alfaces e tudo comeou com uma pequena semente.

para mim um grande fascnio ver as pessoas a descobrirem-se a elas prprias. E procuro ir ajudando, ora daqui ora dali, a que encontrem o seu caminho. O meu trabalho como professor passa muito por aceitar o que os alunos querem fazer e ir intervindo para que aquilo que eles fazem fique mais prximo daquilo que querem fazer. No se trata de fazerem o que eu digo, mas sim que aquilo que digo sirva para fazerem mais do que o que estavam a fazer antes.

Afirmo muitas vezes aos meus alunos: eu no tenho nada para vos ensinar, no tenho nada para ensinar a ningum. O que posso estar com as pessoas e tentar perceber o que querem, entrar em sintonia com o que buscam e tentar ajud-las a chegar l. At para meu prazer tambm. Quando os estudantes me chegam existe sempre qualquer coisa de novo para mim e eu tambm fico muito contente. Se fosse eu sozinho a fazer no seria to interessante, nem to estimulante. Os outros fazem parte da minha vida e so fonte de alegria. No tenho nada de solitrio, ou de isolado.

Ao longo da sua carreira passou, como vimos, por diversos locais, estudando e realizando projectos e dando aulas. Nessa passagem de testemunho o que considera fundamental transmitir aos seus alunos de arquitectura?

Acho que o mais importante, como em qualquer outro ramo da actividade artstica, ter trabalho, ser solicitado.

Depois, digo muitas vezes aos meus alunos que as dificuldades so as melhores amigas dos arquitectos, por obrigarem a um esforo, necessidade de ultrapassar coisas aparentemente difceis de conciliar e que puxam pela nossa criatividade, pela nossa inveno. Esse fazer fazendo vai sendo uma fonte inesgotvel de descoberta e de inspirao que sugere coisas antes impensveis, por vezes.

Dou-lhe um exemplo: havia um projecto que foi desenvolvido por um jovem arquitecto que colaborava comigo. A certa altura o projecto estava pronto mas ningum tinha reparado que o mesmo no cabia no terreno. A culpa era minha, pois devia-me ter preocupado com isso mais cedo, mas tinha confiana no trabalho desse arquitecto.

Quando me apercebo do problema comeo a pensar no que fazer. O terreno tinha uma rua de cada lado e surge a hiptese de a prpria rua passar por dentro da construo. E foi o que aconteceu, acomodmos a construo situao real do terreno, mas neste caso s no final do projecto.

Esse encontro inesperado, forado, veio a revelar-se uma mais-valia extraordinria para a fruio do projecto, para a sua integrao na cidade e para o prprio percurso daquela rua, que ficou muito mais interessante, tal como a construo. E ainda bem.

Agora, se no tivesse existido essa dificuldade, penso que por mim prprio nunca teria l chegado, pois parece um pouco perverso meter uma rua dentro de um prdio. Uma pessoa pensa se se atreve mesmo a faz-lo, quase um salto no escuro. Mas depois pensa que fez bem e fica muito contente. Por isso digo que a dificuldade generosa, que a vida generosa e que no devemos ter medo de seguir em frente porque vale sempre a pena.

No se trata de uma arquitectura feita de certezas mas de uma arquitectura construda sobre as surpresas, sobre o modo de lidar com elas e pensando sempre que so bem-vindas.

E essa flexibilidade funciona hoje nos espaos de banho? Como v a evoluo da arquitectura destes espaos hoje to importantes como qualquer outra diviso da casa?

interessante, porque tenho uma relao muito pessoal e prpria com os quartos de banho. Acho que so cada vez mais confortveis e cuidados, e no so espaos concebidos para que se vejam, so espaos onde se tem o prazer de estar, so espaos que fazem parte do desfrutar da vida. Imaginei sempre - tive sempre que imaginar - espaos onde eu prprio teria prazer em estar.

Na minha primeira obra, que foi uma remodelao extensa da casa dos meus pais, as casas de banho eram espaos particularmente cuidados, todas elas. Tratavam-se de espaos onde se estava com satisfao, no eram stios estritamente funcionais para entrar e sair ao fim de pouco tempo.

s vezes, numa casa grande e com muita gente, os espaos de banho tambm so um stio de refgio, mesmo quando no so precisos para nada mais. um dos stios mais privados da casa. Tanto, que no Brasil at lhe chamam a privada. ainda um local onde se realizam tarefas, para alm das necessidades fisiolgicas, que esto ligadas ao prazer e fruio, como o banho, (mesmo que seja um duche); algumas pessoas assobiam, outras cantam na casa de banho tm-se momentos de distenso e de relaxamento, e todos ns acabamos por vezes por permanecer nela mais tempo do que o que necessita.

E que aspectos valoriza mais nestes espaos, o design ou a funcionalidade? Luz natural, solues sofisticadas que elementos so hoje imprescindveis?

Acho que o conforto o aspecto essencial. Lembro-me que, quando conheci o Arquitecto Fernando Tvora, ele tinha acabado de fazer uma grande remodelao numa casa muito simptica, que foi a casa dele toda a vida. Era na Foz, uma casa de gaveto, muito baixinha e encantadora.

No contexto da remodelao que tinha feito, o Fernando falou-me da sua relao com a casa de banho (e isto passava-se h 50 anos, em 1960), e disse-me: levanto-me sempre muito contrariado e detesto ir logo de manh para um stio todo branco e cheio de luz, frio e desagradvel.

E ele tinha colocado um material que tinha surgido h pouco tempo, que eram aqueles ladrilhos plsticos ou em vinil, mas que tinham sobre o material cermico a grande vantagem de no serem frios. E tinha escolhido uma cor muito doce, muito soft, em tons de verde, se bem me recordo Mas, mesmo assim, toda aquela casa de banho era uma espcie de pequena caverna onde ele entrava ainda ensonado quando tinha de se preparar para enfrentar o dia, e queria faz-lo da forma menos agressiva possvel.

Eu sinto muito isso em relao s casas de banho, que no devem ser espaos muito agressivos, e no sei se o design, tal como ele concebido, tem assim uma importncia to grande. Por vezes cria frialdade, distncia e agressividade. Por vezes to design que uma pessoa chega e s v as loias, as bacias, os lavatrios e os acessrios, e tudo aquilo acaba por ter importncia de mais. um pouco como uma mulher que, para estar verdadeiramente bem vestida, no deve ostentar um excesso de jias.

Qual entende ser a pea sanitria a que os clientes prestam especial ateno?

Eu penso que a banheira a pea mais importante para muita gente. Julgo que hoje em dia, com a falta de empregados domsticos, aquelas peas penduradas na parede so uma ptima ideia, pela facilidade em limpar o cho. Acho que uma prateleira agarrada ou muito prxima do lavatrio d muito jeito porque hoje em dia at os homens tm cosmticos e h sempre uma parafernlia de frascos e de objectos que d jeito ter mo. Ter dois lavatrios tambm cmodo, em particular para um casal, pois proporciona conforto.

Nos seus projectos escolhia as peas sanitrias por marcas especficas ou pela tipologia?

Era mais por modelo e tipo de pea. Hoje praticamente todas as marcas tm modelos interessantes. Lembro-me que em Portugal, a certa altura, o mercado foi invadido por uma marca espanhola, e foi evoluindo e dando lugar criao de desenhos mais interessantes. Recordo que quando trabalhava no estrangeiro as marcas inglesas eram muito prestigiadas, e que em Macau havia muito american standard. um mundo que nunca esteve abandonado. Existe toda uma produo e um marketing que investe na relao forte que todas as pessoas tm com a casa de banho.

Para l dos materiais, que estilo privilegia nos espaos de banho?

Minimalista nunca fui, felizmente. Acho que precisamos de stios para pousar o olhar, precisamos de pontos de vista diferentes e de coisas que no se revelem logo primeira vista. Defendo, portanto, um certo excesso de funcionalismo, ou um mnimo de investimento afectivo ou at de objectos desnecessrios. Acredito que o desnecessrio necessrio, j que a pessoa no pode viver s esqueleto, tem de ter um bocado de carne. E depois existem materiais a que damos sempre ateno, como a cermica ou a pedra. O metal por vezes bonito, mas demasiado frio. E tambm me recordo de casas de banho antigas em que o cho de madeira e que so muito confortveis e apetitosas.

Dos projectos que j concebeu, que espao de banho elegeria por ter sido um desafio ou uma realizao profissional?

Penso que um pouco subjectivo, mas a casa de banho onde me sinto melhor a minha, naturalmente. Recordo um projecto em que o cliente me disse que queria uma casa moderna, que inclusse um espesso de banho que suportasse bem umas torneiras adornadas com uns golfinhos dourados; este tipo de elementos decorativos esteve muito na moda nos anos 70, e dava azo a uma ideia de luxo idntica ao dos magnatas do petrleo.

Percebi imediatamente o tipo de casa de banho que o cliente queria (embora ele no me tenha imposto uma banheira desta ou de outra forma ou medida) e ele ficou contente at aos dias de hoje. Portanto, penso que nos encontrmos: eu percebi a relao que ele queria ter com a casa de banho, que deveria ser elegante e confortvel ao mesmo tempo, e criei um espao que correspondia sua fantasia. Portanto, os projectos de arquitectura tm sempre de ser algo realizado com engenho e polivalncia.

E esse foi um dos seus maiores desafios, em termos de realizao profissional?

No ter sido o maior desafio, como disse, concebi os primeiros espaos de banho em casa dos meus pais, e adorava-os, tal como, felizmente os meus pais. Tambm gostava bastante da casa de banho que projectei na minha casa em Macau. No fundo, acho que gosto de todas as casas de banho que fiz. Fi-las sempre com muito gosto, nunca foi s encontrar uma soluo onde enfiei uma sanita, um bid e um lavatrio, mais um cantinho para meter o duche; todas elas foram sempre feitas com inteno.

Desenhei sempre espaos onde eu prprio gostasse de estar. Eu no sei fazer projectos para stios onde eu no gostasse de estar. Uma vez um scio meu queria que entrssemos num concurso para a Guarda Nacional Republicana - isto j depois do 25 de Abril -, e eu respondi-lhe que no sou capaz de fazer quartis, ou esquadras, ou prises. Porque no so stios onde eu gostasse de estar.

Concluindo, no sei se no haver um dfice de arquitectos que gostam em particular dos espaos de banho. Digo isto porque considero que muitos destes espaos acabam por resultar em lugares que no so stios para viver, no so stios para estar, so stios para usar. Ora, as casas de banho que eu fao so sempre stios para estar, para alm de serem stios para usar.

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